10.05.2011
8.09.2011
Apresentação do Relatório Anual sobre Tráfico de Seres Humanos 2010
6.25.2011
[Quem quer comprar?]

Mercadoria Humana” é uma instalação fotográfica da autoria de Pedro Medeiros, integrada no âmbito do projecto global «Mercadoria Humana – Projecto de Sensibilização em Tráfico de Seres Humanos». Entrevista exclusiva com o autor.
Mercadoria Humana” é uma instalação fotográfica da autoria de Pedro Medeiros, integrada no âmbito do projecto global «Mercadoria Humana – Projecto de Sensibilização em Tráfico de Seres Humanos» que a Saúde em Português, Associação de Profissionais de Cuidados de Saúde dos Países de Língua Portuguesa, está a desenvolver na Região Centro. Este projecto tem como objectivos principais a prevenção, sensibilização, informação e consciencialização acerca da problemática do Tráfico de Seres Humanos para fins de exploração laboral e sexual, combatendo desta forma o alheamento da sociedade relativamente à natureza e opacidade deste fenómeno.
Instalação patente em Coimbra, 3 de Maio a 3 de Setembro de 2011
Há um vazio nas imagens do projecto “Mercadoria Humana” que reproduzem a frieza da nossa impotência. Essa impotência reproduz-se, facilmente, no descartar da responsabilidade, sendo natural considerarmo-nos inconscientes de uma coisa tida como ausente, por outras palavras, um supremo tabu.
O trabalho de Pedro Medeiros insiste, portanto, em provar justamente o contrário: que é tempo de vermos nas arcas frigoríficas, nos armazéns de mercadorias, nas bancas de venda de um mercado, na solidão congelada de um elevador, no “açaime de um animal”, a vida nua que corresponde a um espaço de excepção permanente fabricado por nós à margem da lei, o mesmo espaço que nos evita ter de pensar nesta realidade e que, além disso, é gérmen imanente da sociedade em que nos envolvemos.
Fomos conversar com o autor desta exposição para percebermos um pouco melhor este projecto.
Podes explicar sucintamente que programa é este, o da mercadoria humana?
Pedro Medeiros: Mercadoria Humana é uma instalação fotográfica, integrada no âmbito do projecto global «Mercadoria Humana – Projecto de Sensibilização em Tráfico de Seres Humanos» que a Saúde em Português (Associação de Profissionais de Cuidados de Saúde dos Países de Língua Portuguesa) está a desenvolver na Região Centro com financiamento do Programa Operacional do Potencial Humano através da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Este projecto tem como objectivos principais a prevenção, sensibilização, informação e consciencialização acerca da problemática do Tráfico de Seres Humanos para fins de exploração laboral e sexual, combatendo desta forma o alheamento da sociedade relativamente à natureza e opacidade deste fenómeno.
A instalação fotográfica está patente em vários espaços públicos da cidade de Coimbra até 3 de Setembro do corrente ano. Depois desta data, está prevista uma primeira itinerância do projecto em Lisboa. Seriam desejáveis outras itinerâncias nos países da lusofonia, no Brasil e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. O carácter humano e social desta iniciativa justifica, no meu ponto de vista, a ambição e o esforço de tentativa de internacionalização do projecto.
Estamos a produzir, ainda, a edição de um livro sobre este trabalho fotográfico, com a designação “Mercadoria Humana [Encomenda Postal] ”, que será apresentado na FNAC Fórum Coimbra no próximo dia 7 de Julho.
Como reagiste a esta proposta, de um fotógrafo participar numa campanha destas? Que papel para a fotografia e que enquadramento fazes no seio do teu trabalho?
Reagi muito bem, com a consciência de que tinha a oportunidade de poder tratar um tema muito duro. É um desafio enorme, de grande responsabilidade, poder representar fotograficamente este flagelo humano e social. O tráfico de seres humanos é uma actividade criminosa à qual é impossível ficar imune. A fotografia e as artes plásticas têm todos os instrumentos possíveis e impossíveis para poderem integrar de forma activa este tipo de campanhas. A minha atitude perante estes temas é, se quiseres, mais do que uma intenção artística, a afirmação de um compromisso de ordem ética e o exercício de um dever de intervenção cívica. Parte importante do meu trabalho tem vindo a ser desenvolvida na interpretação de temas que envolvem questões de identidade humana, social e política. São exemplos disso os projectos de exposição e edição “Voz do Silêncio” (2006), que realizei sobre as prisões políticas da ditadura fascista, e o projecto “INTRO” (2009), sobre o Estabelecimento Prisional de Coimbra.
No que diz respeito à Instalação Fotográfica “Mercadoria Humana”, trata-se, conforme referi, de um convite que me foi dirigido pela Saúde em Português para a concepção de uma exposição inédita de fotografia que pudesse interpretar o tema central da campanha. Em resposta a este desafio, criei um projecto de autor constituído por um portefólio original de oito imagens, propondo a sua apresentação em formato de Instalação de Arte Pública. Realizei, numa primeira fase, um trabalho de investigação, ao qual se seguiu a construção de um imaginário fotográfico, de cunho performativo. A instalação “Mercadoria Humana” pretende ser um alerta para o sofrimento das vítimas e para a possibilidade de denúncia dos seus opressores.
Os espaços expositivos não são os convencionais, abdicaste da galeria, isso é uma proposta, por assim dizer, política, no seio institucional da arte, ou foi uma opção neutra que apenas prolonga o significado desta exposição, como um trabalho site-specific?
A questão da escolha dos espaços expositivos representa uma das intenções nucleares para a possibilidade de leitura deste projecto. Penso que podemos afirmar que esta escolha tem esse duplo sentido: uma intenção política e a criação de lugares de significado que possam fazer desta exposição um trabalho de site-specific no contexto da arte pública.
Se, por um lado, somos um país economicamente muito frágil, com vários impedimentos financeiros à criação artística, por outro continuamos condenados ao juízo de valor de um grupo de agentes culturais que no seu exercício de influências e critérios de valoração contribuem para um meio encerrado sobre si próprio, centralizado, pouco dado à experimentação e a uma leitura global do país. Tenho alguma dificuldade em compreender o que é eleito como essencial e rotulado como “periférico”.
Quanto à opção de apresentar este projecto em espaços expositivos não convencionais explica-se pela própria intenção de criar uma maior proximidade com o público, reforçando a ideia da cidade como espaço de reflexão, de participação cívica, convocando a população para um exercício de análise crítica e interacção comunitária. Conseguimos desenhar um périplo simultâneo de exposição em vários espaços públicos: Centros de Saúde; Espaços Institucionais de Informação Municipal; Espaços de Ensino Público, Espaços da Universidade de Coimbra e do Ensino Secundário; Espaços de Conhecimento, Cultura e Lazer; Áreas de Comércio e Hotelaria; Empresas de Transporte de Passageiros e Mercadorias; Postos de Turismo. A imersão da instalação no contexto urbano de Coimbra envolveu o apoio e colaboração de cerca de vinte entidades, instituições e empresas da cidade, sendo o projecto visível em vários suportes expositivos vocacionados para o exterior: painéis fotográficos, mupis 175×120cm, cartazes de várias dimensões, flyers e folhetos informativos, e anúncios de imprensa.
Importa, sobretudo, referir que a instalação tem o seu núcleo principal no Mercado Municipal D. Pedro V. Trata-se do espaço onde foram criadas a maioria das obras e onde se pretende que estas estejam em diálogo permanente com o público no seu contexto de instalação. Assim, a instalação integral dos oito painéis fotográficos no Mercado pretende estimular um exercício de diálogo e comunicação, conciliando as interpretações do público in situ com o contexto global da campanha e com as minhas preocupações enquanto autor do projecto.
Há uma crueza e uma frieza nas imagens que dilaceram o corpo humano em mercadoria, e que resultam numa extrema violência. Por outro lado, as mercadorias são o objecto do nosso desejo, são aquilo que o desejo persegue nesta sociedade de consumo. Queres explicar esta opção de uma certa tensão que as imagens provocam?
Não podes traduzir o esmagamento psicológico, a violência exercida sobre as vítimas de tráfico humano, a imensurável crueldade deste crime, sem criares tensão. Essa tensão é inerente ao tema e ao processo criativo de construção das fotografias. Considero, no entanto, que a realidade é sempre mais violenta do que qualquer imaginário ou ficção que consigas criar. Na concepção dos painéis fotográficos que compõem a instalação houve a intenção de incluir em todos eles o logótipo da campanha, os contactos e linhas telefónicas de acção, estes dados fazem parte da obra final, traduzem uma vez mais a intenção do projecto.
Ao apresentarem-se oito painéis fotográficos com esta composição, em formato Mupi, ou cartaz, estamos a apropriar-nos da linguagem utilizada nos meios publicitários da sociedade de consumo para combater o criminoso desejo dos que praticam esse “consumo”. Ao transportarmos os painéis para a rua estamos também a lembrar que todos temos responsabilidade sobre a denúncia deste crime. Gosto desta ideia de incorporação, de que as pessoas possam sentir-se implicadas nestas obras, da ideia de que somos todos parte de tudo e de que na realidade ninguém está verdadeiramente “limpo”.
Como é que as pessoas estão a reagir a este teu trabalho?
Volto aqui à questão do espaço público e dos espaços convencionais. Quando se apresenta um trabalho numa instituição, museu ou galeria aparece um público mais previsível, que se movimenta por prazer, vontade de conhecimento ou por interesse na obra de determinados artistas. Quando se escolhe o espaço público, encontramos o mesmo público dos espaços ditos convencionais e o público constituído pelos cidadãos comuns. Interessa-me, então, o cidadão comum. Interessa-me, neste contexto, o julgamento público.
As reacções têm sido diversas, e penso que este trabalho está a cumprir os seus objectivos. A partir do momento em que se apresenta um trabalho ele deixa de ser do autor, por isso, quem devia responder a esta questão é o público que o vê. Deixo aqui, em todo o caso, duas reacções que tive oportunidade de presenciar na qualidade de “espectador do meu próprio trabalho”. Quando procurávamos o apoio de instituições e empresas na cedência de espaços para colocar as obras, tivemos uma resposta por escrito de uma empresa da cidade que mencionava: “Não podemos ter fotografias que podem afastar os nossos clientes.” Outra reacção foi observada numa das várias unidades alimentares dos SASUC - Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (entidade apoiante do projecto), quando um dos utentes manifestou junto do responsável da cantina que aquele não era o espaço mais apropriado para colocar fotografias com aquele conteúdo, pois incomodavam a sua refeição. Respondi ao responsável desta unidade: - “Se a comida lhe soube mal é sinal que compreendeu este projecto”.
Por Ricardo Seiça Salgado
Fonte: Rua de Baixo | Edição N068, Maio, 2011
5.20.2011
Instalação Fotográgfica na UCV | Televisão web da UC
A instalação fotográfica tem como núcleo principal o Mercado Municipal D. Pedro V, em Coimbra, espaço cedido para o efeito pela Câmara Municipal de Coimbra mas também pode ser encontrada em diversos espaços públicos da Região, incluindo a UC
5.10.2011
Instalação Fotográfica de Pedro Medeiros
Coimbra, 3 de Maio a 3 de Setembro de 2011.
MERCADORIA HUMANA é uma instalação fotográfica da autoria de Pedro Medeiros, integrada no âmbito do projecto global «Mercadoria Humana – Projecto de Sensibilização em Tráfico de Seres Humanos» que Saúde em Português, Associação de Profissionais de Cuidados de Saúde dos Países de Língua Portuguesa, está a desenvolver na Região Centro. Este projecto tem como objectivos principais a prevenção, sensibilização, informação e consciencialização acerca da problemática do Tráfico de Seres Humanos para fins de exploração laboral e sexual, combatendo desta forma o alheamento da sociedade relativamente à natureza e opacidade deste fenómeno.
Neste contexto, Saúde em Português convidou Pedro Medeiros, fotógrafo com actividade profissional sedeada em Coimbra, para concepção de uma exposição inédita de fotografia, interpretando e representando o tema central da campanha. Em resposta a este desafio, Pedro Medeiros criou um projecto de autor, constituído por um portefólio original de 8 imagens, propondo à Saúde em Português a apresentação deste conjunto de fotografias em formato de Instalação de Arte Pública.
O calendário de planeamento desta instalação foi levado a cabo pelo autor ao longo de um ano, num trabalho de constante apoio, parceria e produção ao cuidado de Saúde em Português: Direcção do seu Presidente, Hernâni Caniço, Direcção de Coordenação de Sofia Figueiredo, Direcção Técnica de Ana Figueiredo, Apoio Administrativo de Marisa Lobo e Design de Comunicação de Sofia Machado Santos.
A apresentação da instalação no contexto urbano da cidade de Coimbra envolve o apoio e colaboração de cerca de 20 entidades, instituições e empresas da cidade. O projecto será visível num conjunto significativo de espaços, em vários suportes expositivos vocacionados para o exterior: painéis fotográficos MUPIS 175x120cm, cartazes de várias dimensões, flyers e folhetos informativos, anúncios de imprensa no Jornal Diário As Beiras (parceiro media patrocinador deste projecto).
A INSTALAÇÃO FOTOGRÁFICA «MERCADORIA HUMANA» pretende desta forma convocar o público para um périplo simultâneo de exposição em vários espaços públicos, a saber: Centros de Saúde; Espaços Institucionais de Informação Municipal; Espaços de Ensino Público; Espaços de Conhecimento, Cultura e Lazer; Áreas de Comércio; Empresas de Transporte de Passageiros e Mercadorias; Postos de Turismo.
A instalação fotográfica tem como núcleo principal o Mercado Municipal D. Pedro V, em Coimbra, espaço cedido para o efeito pela Câmara Municipal de Coimbra. Este local, escolhido pelo autor para lançamento do projecto, funciona como “Site Specific” da instalação. Trata-se do espaço onde foram criadas a maioria das obras e onde se pretende que estas estejam em diálogo permanente com o público no seu contexto de instalação. A apresentação integral dos 8 painéis fotográficos no Mercado Municipal D. Pedro V pretende estimular um exercício de diálogo e comunicação, conciliando as interpretações do público com o contexto global da campanha «Mercadoria Humana – Projecto de Sensibilização em Tráfico de Seres Humanos» e as preocupações do artista na concepção do projecto fotográfico.
Os painéis fotográficos que constituem a instalação encontram-se também visíveis em vários espaços disponibilizados com o apoio das seguintes entidades: Agência de Promoção da Baixa de Coimbra; Agrupamento de Centros de Saúde Baixo Mondego I (Coimbra, Condeixa-a-Nova, Penacova); Agrupamento de Escolas Martim de Freitas; Agrupamento Vertical de Escolas Dr.ª Alice Gouveia; Casa Municipal da Cultura; Casa Municipal da Cultura/Biblioteca Municipal de Coimbra - Ler ao Cubo, espaço de leitura ao ar livre no Parque Verde do Mondego; Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra; Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra; Direcção Regional de Cultura do Centro; Espaços de Publicidade Institucional da Câmara Municipal de Coimbra/Mobiliário Urbano J.C. Decaux; Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra; Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra; PLURAL Cooperativa Farmacêutica, CRL - Divulgação nas Farmácias da cidade e distrito de Coimbra; Instituto Português da Juventude (Direcção Regional do Centro - Serviços Desconcentrados de Coimbra); Mercado Municipal D. Pedro V/Câmara Municipal de Coimbra; Postos de Turismo - Turismo Centro de Portugal; Rede Ferroviária Nacional – REFER, EPE (Estação de Coimbra Cidade e Coimbra B); Rodoviária da Beira Litoral S.A. SASUC – Unidades Alimentares da Universidade de Coimbra; Torre Arnado - Business Center de Coimbra.
A INSTALAÇÃO FOTOGRÁFICA «MERCADORIA HUMANA» assume o compromisso iniciado nas décadas de 60 e 70 do séc. XX em que a arte começa a ser apresentada fora dos espaços convencionais dos museus e galerias de arte. Este projecto pretende criar uma maior proximidade com o público, reforçando a ideia da cidade como espaço vivo de reflexão, cidadania, participação cívica, convocando a população para um exercício de análise crítica e interacção comunitária.
A INSTALAÇÃO FOTOGRÁFICA «MERCADORIA HUMANA» tem como intenção primordial a protecção das vítimas que todos os dias estão sujeitas às mais diversas formas de tráfico e exploração. Ao incluir em todos os painéis fotográficos os contactos e linhas telefónicas de acção desta campanha a Fotografia assume-se como um instrumento de defesa das vítimas e de possibilidade de denúncia dos seus opressores.



AGRADECIMENTOS:
A todas as entidades, instituições e empresas que com o seu inestimável apoio e cedência de espaços tornaram possível a concretização deste projecto.
À Casa da Esquina - Associação Cultural pelo contributo essencial de Nádia Almeida, Helena Freitas e Ricardo Correia.
Ao Projecto BUH! - Associação Cultural e ao seu director Ricardo Seiça Salgado.
À Câmara Municipal de Coimbra e à Casa Municipal da Cultura por todo o apoio neste projecto, em especial na cedência do espaço do Mercado Municipal D. Pedro V. Ao Dr. Miguel Branquinho, à equipa de montagem do Mercado, à equipa de montagem da Casa Municipal da Cultura.
À empresa COMBITUR – Construções Imobiliárias e Turísticas, S.A., ao Engenheiro José Gonçalves Arantes pelo patrocínio na cedência das estruturas para montagem da instalação no Mercado Municipal D. Pedro V.
Às voluntárias Rita Brito, Rita Rigueiro e Sara Pinto pelo apoio logístico e divulgação.
Ao João Moura Relvas pelo apoio em todos os trabalhos de montagem.